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Bebianno diz a aliados que não vai se demitir até falar com Bolsonaro

Postado dia 14 de Fevereiro de 2019 às 15h37m

Em meio à crise provocada após a revelação pela Folha de S.Paulo de um esquema de candidaturas laranjas no PSL, o ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, disse a aliados nesta quinta-feira (14) que não vai pedir demissão do cargo e que só decidirá seu futuro após ter uma conversa com Jair Bolsonaro (PSL).

O ministro foi desmentido publicamente pelo presidente um dia antes, e há uma expectativa dele que um encontro com Bolsonaro ocorra nesta quinta, embora não haja previsão em agenda. A aliados Bebianno disse que permaneceria em silêncio sobre o caso e que foi aconselhado a falar pessoalmente com Bolsonaro para medir a temperatura do problema.

A crise dos laranjas foi alavancada na quarta-feira (13) pelo ataque do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, a Bebianno. O ataque de Carlos -que acusou o ministro de mentir- foi endossado pelo presidente, que compartilhou em rede social postagens do filho e negou versão de Bebianno sobre ter conversado com ele.

Segundo a reportagem apurou, Bolsonaro esperava que Bebianno já tivesse pedido demissão quando saísse do hospital onde esteve internado em São Paulo e chegasse à tarde a Brasília com trunfo para conter os impactos do caso.

Em entrevista ao Jornal da Record, concedida no hospital e exibida na noite de quarta, o presidente disse ter determinado a abertura de inquérito da Polícia Federal sobre o esquema de candidaturas laranjas de seu partido e que, se Bebianno estiver envolvido, "o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens".

O ministro, por sua vez, afirmou à Globonews na noite do mesmo dia que não tinha intenção de pedir demissão e que eventual decisão caberia a Bolsonaro. "Até aqui minha relação com ele foi sempre a melhor possível, da minha parte tudo foi feito com honestidade, correção e vamos esperar para ver o que acontece", declarou.

Oficialmente, o Palácio do Planalto não vai comentar o assunto e assessores do presidente dizem que a ordem é tentar transparecer normalidade do governo. Nos bastidores, o episódio incomoda ministros e parlamentares -inclusive desafetos de Bebianno- que veem no gesto do presidente uma deslealdade a um de seus aliados mais próximos no período de campanha.

A presença constante de Carlos ao lado de Bolsonaro também gera apreensões de que outros auxiliares possam ser futuramente alvo de retaliações. Há uma ala da bancada do PSL bastante descontente com a ação de Carlos. Parlamentares ouvidos pela reportagem dizem que ao expor o ministro o filho do presidente só desgasta o governo, e que ele não é um eleitor comum para que fique usando as redes sociais para criticar quadros do Planalto.

O apoio a Bebianno não é consenso na bancada do PSL na Câmara e há quem torça por sua queda por desafetos dos tempos da corrida eleitoral. O chefe da Secretaria-Geral, porém, tem apoio de parlamentares de outros partidos e conta com a simpatia do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Logo depois de chegar a Brasília, na quarta, Bolsonaro recebeu três ministros: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Augusto Heleno (GSI) e Fernando Azevedo (Defesa). Na manhã desta quinta, os três tinham uma reunião com Bebianno no Planalto. A assessoria nega que haja relação entre os fatos e diz que o encontro já havia sido marcado para tratar de "assuntos internacionais".

Bebianno, porém, não compareceu ao Palácio do Planalto, e seus assessores não sabem informar onde ele está. A Secretaria-Geral enviou o general Floriano Peixoto, número 2 da pasta, para representar o ministro. O compromisso chegou a ser incluído na agenda de Bebianno e retirado na sequência.

Antes do encontro, Santos Cruz disse que "qualquer problema sobre isso [crise com Bebianno] tem que ser resolvido". Ele se reuniu com Bolsonaro no Palácio da Alvorada pela manhã, mas Cruz negou que ter tratado sobre o tema com o presidente. Ainda em recuperação de uma cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal, Bolsonaro deve seguir despachando do Alvorada até o fim da semana.

Nesta quinta, ele tem uma agenda com os ministros Paulo Guedes (Economia) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil) para discutir a proposta da reforma da Previdência.

LARANJA DE PERNAMBUCO

Reportagem da Folha de S.Paulo do último domingo (10) revelou que o grupo do atual presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018. O dinheiro foi liberado por Bebianno.

Maria de Lourdes Paixão, 68, que oficialmente concorreu a deputada federal e teve apenas 274 votos, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio presidente Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos.

O dinheiro do fundo partidário do PSL foi enviado pela direção nacional da sigla para a conta da candidata em 3 de outubro, quatro dias antes da eleição. Na época, o hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência era presidente interino da legenda e coordenador da campanha de Jair Bolsonaro, com foco em discurso de ética e combate à corrupção.

Apesar de ser uma das campeãs de verba pública do PSL, Lourdes teve uma votação que representa um indicativo de candidatura de fachada, em que há simulação de atos de campanha, mas não empenho efetivo na busca de votos.

A candidatura laranja virou alvo da Procuradoria, da Polícia Civil e da PF -Bolsonaro disse à Record ter dado "carta branca" para o ministro Sergio Moro para essa apuração. O presidente, por outro lado, evitou generalizar a crise. "É uma minoria do partido que está envolvida nesse tipo de operação."

Maria de Lourdes seria ouvida nesta quinta pela Polícia Federal, mas o depoimento foi adiado a pedido dela.

Nesta quarta, a Folha de S.Paulo revelou ainda que Bebianno liberou R$ 250 mil de verba pública para a campanha de uma ex-assessora, que repassou parte do dinheiro para uma gráfica registrada em endereço de fachada -sem maquinário para impressões em massa. O ministro nega qualquer irregularidade.

E, nesta quinta, o jornal Folha de S.Paulo mostrou que uma gráfica de pequeno porte de um membro do diretório estadual do PSL foi a empresa que mais recebeu verba pública do partido em Pernambuco nas eleições.

Sete candidatos declararam ter gasto R$ 1,23 milhão dos fundos eleitoral e partidário na gráfica Vidal, que nunca havia participado de uma eleição e funciona em uma pequena sala na cidade de Amaraji, interior de Pernambuco.

O ministro Onyx Lorenzoni chamou Bebianno de "homem sério" e "responsável" e buscou amenizar a crise. "É como um time de futebol, nem sempre o lateral se acerta bem com o ponteiro, às vezes o cara da meia cancha demora a ligar com o atacante, que está sempre em impedimento."

Integrantes da ala militar do governo, que nunca aceitou bem a influência dos filhos de Bolsonaro sobre o pai, diziam considerar inaceitável um presidente lidar uma crise política por meio do filho e de vazamento em rede social.

Na semana passada, a Folha de S.Paulo ainda havia publicado que o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, patrocinou um esquema de candidaturas de fachada em Minas que também receberam recursos volumosos do fundo eleitoral do PSL nacional e que não tiveram nem 2.000 votos, juntas. Parte do gasto que elas declararam foi para empresas com ligação com o gabinete de Álvaro Antônio na Câmara.

Após essa revelação sobre o ministro do Turismo, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que esse caso deveria ser investigado. A Procuradoria-Regional Eleitoral de Minas Gerais decidiu apurar o caso.

Fonte: Bahia Notícias.

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